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Reflexões de 2025: Aprendizados entre os oráculos e a vida

Este último ano tem sido uma cordilheira infinita de altos e baixos. Comecei cheia de projetos, ideias e promessas que foram ficando abandonados pelo caminho. Tinha planos de retomar os cursos relacionados à escrita. Eu queria me inspirar a voltar às newsletters. Porém, mesmo matriculada, fui perdendo o interesse e deixando prá lá. Pensei em fazer uma revisão importante dos meus conhecimentos no tarô, até comecei bastante empolgada, mas também não tive energia, e foi mais um plano que ficou pelo caminho. No meu trabalho oficial, os projetos também não ajudaram. Algumas coisas que começaram bem intensas e cheias de promessas deram uma esfriada. Isso colaborou ainda mais na minha desmotivação para o resto.

Nessa caminhada entre altos e baixos da vida perdi meus dois gatos. A mais novinha teve doença renal e se foi rápido demais ainda em fevereiro. O meu gatão super parceiro de 23 anos, o mais inimigo do fim de todos, foi perdendo qualidade de vida até que o dia dele ir embora chegou no começo de maio. Fiquei tão anestesiada com a situação que não tinha mais empolgação para fazer nada.

No início desse ano, junto com o curso de escrita que foi do nada para lugar nenhum, do ano me inscrevi também em um grupo de estudos de Mesa Real (Lenormand) com uma cartomante muito querida. No começo estava meio sem expectativas, quase crente que seria mais um projeto que seria abandonado pelo caminho. Mas contrariando minhas expectativas esse grupo realmente me empolgou e trouxe um respiro de alegria entre todos os perrengues do trabalho e da vida. 

Estudo o Petit Lenormand desde 2017, quando fiz meu primeiro curso de baralho cigano na mesma escola onde comecei a estudar astrologia. Depois desse primeiro já foram vários outros cursos, mentorias e grupos de estudos, afinal para quem quer mesmo aprender, ele é um sistema de cartomancia muito técnico, exigente e cheio de nuances. O Lenormand é exigente de várias formas, o que faz com que a gente dê umas travadas ao longo do processo e muita gente simplesmente desencana. Mas dentre os sistemas oraculares, ele tem alguma coisa que faz meus olhinhos brilharem mais do que os outros, e isso sempre aconteceu, mesmo quando eu travava. Depois de muitos cursos sentindo que eu não saia do lugar, em 2022 decidi que manteria um diário com leituras de 3 cartas. Lembro exatamente quando, pois foi também em um momento de crise pessoal e combinou com uma viagem que fiz para Minas Gerais à trabalho (e também porque guardo todos esses diários!).

Para apimentar a coisa e aumentar meu compromisso, quase um ano depois criei uma conta no instagram para compartilhar essas leituras, o @aprendendolenormand. A ideia é que eu precisava transcrever essa linha de três cartas em algo inteligível o suficiente para ser publicado. Afinal, no diário, por causa das correrias do dia a dia eu sempre colocava uma interpretação mais geral e telegráfica, mas nem sempre desenvolvia um texto. Houve meses que postei todos os dias, houve períodos que desencanei. Ter me inscrito no grupo de estudos de mesa real no começo desse ano me motivou a retomar as publicações no instagram com um pouco mais de comprometimento. Nesse meio tempo voltei publicar minhas leituras do dia, mas sem ficar muito encanada em fazer isso todos os dias, como lá no início, para não me sentir tão sobrecarregada.

A verdade é que há quase 4 anos mantenho os diários com essas linhas de cartas diligentemente, nem sempre dá tempo ou estou na pilha para publicar no insta, mas esse exercício simples foi o que, de verdade, fez muita diferença no meu aprendizado. Em paralelo, sempre pego um autor para estudar um pouquinho todos os dias. E além de aprender mais sobre o Lenormand, essa prática tem me salvado nos períodos mais complicados. 

Com a partida dos meus 2 parceirinhos de 4 patas a casa ficou vazia e começamos a pensar em adotar um (ou dois) gatinhos. Eu e meu marido começamos a dar uma zapeada entre as ongs. Conversávamos sobre a possibilidade, mas não entrávamos em um consenso. Até que surgiu uma gatinha pretinha de uns 5 meses mais ou menos. Eu me interessei por ela. Decidimos que ficaríamos com ela e num sábado gelado atravessei a cidade até a zona norte onde fui buscá-la. Nesse ínterim, aproveitei para fazer algumas tiragens a respeito dessa situação e que foram muito interessantes. E para não me alongar muito, elas serão o tema do próximo post.

A experiência ao longo de 2025 com as aventuras e desventuras entre os oráculos, bichos e escrita me motivou. Eu quero escrever sobre isso e compartilhar. Sei que tenho a newsletter, mas sentia falta desse espaço mais pessoal, com meu nome e onde tenho um pouco mais de controle sobre o destino das minhas publicações, por isso pretendo trazê-las para cá.

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Reavaliando minha jornada de aprendizado no tarô e refletindo sobre os próximos passos

É difícil assumir quando chegou o momento de dar uma pausa e reavaliar em que degrau estamos na escadinha de um conhecimento. Embora eu acredite ser uma estudante dedicada do tarô, percebo que ainda tenho lacunas importantes. Neste texto trago reflexões sobre minha jornada com o tarô até o momento, principalmente em relação ao desenvolvimento do meu aprendizado e quais caminhos pretendo tomar daqui para frente.

Olhando em retrospectiva, comecei os estudos logo antes da pandemia, um pouco depois de concluir o doutorado. A ideia era me dedicar a um tema que me interessasse, mas que fugisse do meu campo de trabalho. Embalei mesmo nos cursos no período de confinamento mais pesado entre 2020 e 2021. Como todo iniciante, não tive muito critério ou rigor nas primeiras escolhas. Eram muitas propostas on-line e de todas as qualidades possíveis. Entrei em muitos barcos furados, me afundei, achei ótimas boias salva vidas e penei muito até chegar em boas referências.

Isso tudo foi trazendo um cansaço entre cursos que me frustravam e propostas divergentes que, muitas vezes, mais confundiam do que esclareciam. Sempre ficavam as dúvidas: em quem confiar? qual referência é mais segura? ou qual combina mais comigo? Isso tudo foi criando uma insatisfação em torno dos estudos.

Outro ponto, foi que muitos dos cursos traziam (uns mais outros menos implícita) a proposta de profissionalização. Isso dentro de mim estimulou uma necessidade que, a priori, eu não tinha: atender profissionalmente em um tempo curto.

Após um longo período sem atender, jogar ou estudar, percebo que me deixei levar por um contexto. Afinal, todo esse movimento é produto de uma época onde os hobbies e o lazer precisam ser comoditizados dentro da lógica das redes sociais. Mal temos tempo de aprender, e rapidamente nos vemos pressionados a transformar o assunto que gostamos em produto. E dentro do cenário que foi a pandemia, essa lógica foi ganhando contornos importantes. Se mesmo sem urgência financeira me deixei levar, fico pensando em quem estava em processo de aprendizado e no perrengue. A pressão pela profissionalização precoce deve ter sido ainda maior.

Hoje entendo que tudo isso impactou de maneira importante nos meu aprendizado. Essa urgência da profissionalização me levou a pegar atalhos que afetaram meus estudos de forma negativa. Reavaliar isso me faz ter vontade de a voltar a estudar, mas agora livre da urgência de fazer disso um negócio. Ainda penso em profissionalização, mas a médio prazo, algo a ser construído com tempo e experiência.

No momento, busco fundamentar novamente o conhecimento lá da base, sobretudo no estudo dos arcanos menores e na leitura de cartas combinadas. É chato admitir que preciso dar alguns passos atrás, mas é essencial para que eu possa jogar com confiança. E principalmente, me permitir o tempo e o espaço para assentar e desenvolver satisfatoriamente meus conhecimentos.

Avaliando como estou hoje me percebo oscilante, cheia de incertezas e com muita coisa que apenas admito que não sei. Ao mesmo tempo, estudar é uma das minhas atividades favoritas da vida, então recomeçar é uma alegria. E sei que ainda tenho muito a desenvolver tecnicamente e isso me instiga bastante nesse recomeço.

A parte boa é que, com alguma experiência, sei quem são os profissionais que me inspiram e que podem me ajudar a atingir meus objetivos. Também, com a maturidade adquirida após a pandemia e meu conhecimento sobre tarô, tenho clareza sobre o tipo de relacionamento que quero construir com ele. Neste recomeço, sinto mais segurança sobre os caminhos a seguir e, pensando no futuro, tenho várias inspirações para a profissional que desejo me tornar.

Nesse percurso, venho retomando alguns cursos, desde os mais básicos e me dedicando a ler, pelo menos um livro relacionado ao tarô a cada mês. E este espaço de blog também faz parte desse recomeço. Um espaço onde posso refletir sobre o processo de aprendizado e trazer reflexões que surgirão ao longo da jornada. Afinal, gosto muito de escrever e acredito na escrita como um excelente meio de elaborar o aprendizado. Espero que ele seja também um espaço de partilha com aqueles, que como eu, se interessam e estão trilhando este caminho pelo estudo do tarô.

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O tempo e o Eremita

Paredes descascadas carregam a marca da força do tempo, e o tempo sempre passa. Cura memórias, medos, corações e ressacas. O tempo é uma força da natureza. Ele nos atravessa com ferocidade enquanto nos engana, nos deixando pensar que somos nós quem o atravessamos. Enquanto existimos por aqui, ele não para.

Percebo o tempo passando nos fios de cabelo brancos que aparecem teimosos na minha cabeça. Engraçado pensar que desde sempre, conheci minha mãe com cabelos grisalhos. Já meu pai morreu com alguns poucos fios brancos mais rebeldes. Com 41 anos posso dizer que estou no meio termo entre os dois.

Nesses dois anos da pandemia muitas amigas queridas assumiram seus grisalhos, e ostentam lindas cabeleiras prateadas. Eu demorei para libertar meus fios brancos. Ainda me acho  jovem demais para eles, mas aos poucos os aceito com mais gentileza. Junto com eles, vieram rugas teimosas ao redor dos olhos, que assumi por não ter como disfarçar. 

Tal uma parede descascada, o tempo deixa em mim sinais de sua passagem. Sinto como se eles não tivessem chegado aos poucos, mas de salto. Como na canção dos Titãs,  olho no espelho e percebo que já não tenho mais a cara que eu tinha. Nem o corpo. A pele já não é mais a mesma, as pernas amolecem a cada dia apesar do exercício, que a cada dia sai mais difícil e do qual me recupero mais lentamente. Será isso envelhecer? Dizem que quarenta anos é “a meia idade”, então até onde isso vai?

No tarô a carta do Eremita manifesta essa instalação da velhice. Afinal, quem é o Eremita senão um velho rabugento? Para ele e seu cajado, os obstáculos são ultrapassados a passos lentos.  O Eremita, como todos os velhos, tem seu próprio tempo das coisas.

O tempo dos velhos é o tempo das pedras. Assim como os minerais se cristalizam, os velhos cristalizam ideias, opiniões, crenças e manias. Alguns cristalizam até o próprio tempo, revivendo um passado em eterno looping, num curto-circuito de ideias misterioso chamado Alzheimer. 

A lentidão dos velhos é a lentidão da prudência, de quem já foi muito escaldado pelo mundo e carrega o peso da vida nas costas. Por isso, precavidos, insistem em jamais sair de casa sem um guarda-chuvas, um casaquinho, uns trocados – ou seu cajado e a lanterna. Afinal como prosseguir sem poder ver e sentir o que está adiante?

Até em sua teimosia os velhos são sábios. Porém o conflito entre o nosso tempo e o tempo deles, não nos permite assimilar. Temos pressa, urgências, corremos sempre contra o tempo. Talvez por isso, categorizamos a sabedoria dos velhos à rabugice. Afinal, como entender os que não nos dispomos a ouvir? É um conflito de tempo, uma diferença inconciliável de velocidades.

De qualquer forma, com a vantagem dos muitos anos à frente, os velhos sempre vencem. Ora por teimosia, ora pelo cansaço, com suas ideias que de tão fixas, nos fazem desistir de discutir. É o que é. 

Vejo o Eremita na teimosia ranzinza da minha mãe. Uma obstinação endurecida, inflexível, plena de certezas tão profundamente enraizadas como uma velha figueira.  Uma insistência que de tão caprichosa,  me faz rir, mesmo quando passo raiva. Aprendo mais nas tardes com ela sobre o Eremita do que aprenderia em cem aulas de tarô. E aprendo sobre mim. 

O mesmo cabelo, a textura que com o passar dos meses muda com os fios brancos.  As rugas que teimam em aparecer precisamente nos mesmos lugares. Carregamos o mesmo nome, somos fisicamente parecidas. Percebo que eu também já estou ficando ranzinza e também já tenho minhas ideias fixas. É, estou no meio do caminho e até onde isso vai? Uma parte do futuro vejo nela todos os dias, a outra aos poucos vou descobrindo em mim. Com o tempo.