Este último ano tem sido uma cordilheira infinita de altos e baixos. Comecei cheia de projetos, ideias e promessas que foram ficando abandonados pelo caminho. Tinha planos de retomar os cursos relacionados à escrita. Eu queria me inspirar a voltar às newsletters. Porém, mesmo matriculada, fui perdendo o interesse e deixando prá lá. Pensei em fazer uma revisão importante dos meus conhecimentos no tarô, até comecei bastante empolgada, mas também não tive energia, e foi mais um plano que ficou pelo caminho. No meu trabalho oficial, os projetos também não ajudaram. Algumas coisas que começaram bem intensas e cheias de promessas deram uma esfriada. Isso colaborou ainda mais na minha desmotivação para o resto.
Nessa caminhada entre altos e baixos da vida perdi meus dois gatos. A mais novinha teve doença renal e se foi rápido demais ainda em fevereiro. O meu gatão super parceiro de 23 anos, o mais inimigo do fim de todos, foi perdendo qualidade de vida até que o dia dele ir embora chegou no começo de maio. Fiquei tão anestesiada com a situação que não tinha mais empolgação para fazer nada.
No início desse ano, junto com o curso de escrita que foi do nada para lugar nenhum, do ano me inscrevi também em um grupo de estudos de Mesa Real (Lenormand) com uma cartomante muito querida. No começo estava meio sem expectativas, quase crente que seria mais um projeto que seria abandonado pelo caminho. Mas contrariando minhas expectativas esse grupo realmente me empolgou e trouxe um respiro de alegria entre todos os perrengues do trabalho e da vida.
Estudo o Petit Lenormand desde 2017, quando fiz meu primeiro curso de baralho cigano na mesma escola onde comecei a estudar astrologia. Depois desse primeiro já foram vários outros cursos, mentorias e grupos de estudos, afinal para quem quer mesmo aprender, ele é um sistema de cartomancia muito técnico, exigente e cheio de nuances. O Lenormand é exigente de várias formas, o que faz com que a gente dê umas travadas ao longo do processo e muita gente simplesmente desencana. Mas dentre os sistemas oraculares, ele tem alguma coisa que faz meus olhinhos brilharem mais do que os outros, e isso sempre aconteceu, mesmo quando eu travava. Depois de muitos cursos sentindo que eu não saia do lugar, em 2022 decidi que manteria um diário com leituras de 3 cartas. Lembro exatamente quando, pois foi também em um momento de crise pessoal e combinou com uma viagem que fiz para Minas Gerais à trabalho (e também porque guardo todos esses diários!).
Para apimentar a coisa e aumentar meu compromisso, quase um ano depois criei uma conta no instagram para compartilhar essas leituras, o @aprendendolenormand. A ideia é que eu precisava transcrever essa linha de três cartas em algo inteligível o suficiente para ser publicado. Afinal, no diário, por causa das correrias do dia a dia eu sempre colocava uma interpretação mais geral e telegráfica, mas nem sempre desenvolvia um texto. Houve meses que postei todos os dias, houve períodos que desencanei. Ter me inscrito no grupo de estudos de mesa real no começo desse ano me motivou a retomar as publicações no instagram com um pouco mais de comprometimento. Nesse meio tempo voltei publicar minhas leituras do dia, mas sem ficar muito encanada em fazer isso todos os dias, como lá no início, para não me sentir tão sobrecarregada.
A verdade é que há quase 4 anos mantenho os diários com essas linhas de cartas diligentemente, nem sempre dá tempo ou estou na pilha para publicar no insta, mas esse exercício simples foi o que, de verdade, fez muita diferença no meu aprendizado. Em paralelo, sempre pego um autor para estudar um pouquinho todos os dias. E além de aprender mais sobre o Lenormand, essa prática tem me salvado nos períodos mais complicados.
Com a partida dos meus 2 parceirinhos de 4 patas a casa ficou vazia e começamos a pensar em adotar um (ou dois) gatinhos. Eu e meu marido começamos a dar uma zapeada entre as ongs. Conversávamos sobre a possibilidade, mas não entrávamos em um consenso. Até que surgiu uma gatinha pretinha de uns 5 meses mais ou menos. Eu me interessei por ela. Decidimos que ficaríamos com ela e num sábado gelado atravessei a cidade até a zona norte onde fui buscá-la. Nesse ínterim, aproveitei para fazer algumas tiragens a respeito dessa situação e que foram muito interessantes. E para não me alongar muito, elas serão o tema do próximo post.
A experiência ao longo de 2025 com as aventuras e desventuras entre os oráculos, bichos e escrita me motivou. Eu quero escrever sobre isso e compartilhar. Sei que tenho a newsletter, mas sentia falta desse espaço mais pessoal, com meu nome e onde tenho um pouco mais de controle sobre o destino das minhas publicações, por isso pretendo trazê-las para cá.